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Em busca de uma vida mais saudável, tem gente que busca consumir produtos livres de agentes químicos que podem fazer mal tanto ao corpo quanto meio ambiente. E se você está pensando que estamos falando de alimentação, é porque ainda não conhece o universo dos cosméticos orgânicos.

Pesquisando para fazer essa matéria, eu encontrei várias marcas – inclusive nacionais, mas já falo delas – que se autoidentificavam como naturais, veganas, orgânicas, cruelty free, o que causa uma confusão danada para quem não sabe exatamente o que significa.

Aqui no Brasil, alguns órgãos são responsáveis pela certificação de cosméticos, como IBD, USDA, Ecocert, e cada um possui suas próprias regras para categorizá-los como tal. Mas primeiro, vamos aos termos.

Por definição, orgânico quer dizer livre de agrotóxicos, fertilizantes e pesticidas. Para o IBD, um produto, inclusive os artigos de beleza, precisam contar com 95% ou mais de ingredientes orgânicos para ser certificado como tal. Se ele tiver entre 70% e 94%, ele receberá apenas o selo de “preparado com matérias-primas orgânicas”.

Já para a Ecocert, 95% corresponde a porcentagem mínima dos ingredientes vegetais ou de origem vegetais orgânicos. Como quase nenhum produto é constituído apenas desses vegetais, o órgão exige que pelo menos 10% dos ingredientes do produto final sejam orgânicos.

Natural, ao meu ver, é um termo esvaziado de sentido e publicitário. Como os termos a seguir não são muito comuns, acredito que ele seja adotado para atrair consumidores. Mas para o IDB e Ecocert, o cosmético deve conter pelo menos 5% de matérias-primas orgânicas para entrarem na categoria.

Cruelty Free são aqueles itens que não testam em animais. O Peta tem uma lista atualizada com várias marcas com esse selo.

Vegano, além de não testar em animais, são todos os produtos que não contém nenhum ingrediente de origem animal na fórmula. Procure o selo do Certified Vegan na embalagem.

Hipoalergênicos são aqueles cosméticos com baixa causa de alergia na pele. Mas esse é apenas o conceito do termo. Eu busquei por grupos que certificam esses produtos, mas não encontrei.

Essas nomenclaturas correspondem a características diferentes e uma independe da outra. Não é porque um produto é orgânico, por exemplo, que necessariamente ele vai ser vegano. Para identificar se o artigo que você procura pertence a cada categoria, você precisa buscar a informação no rótulo.

Porém, esses selos de identificação são comprados e a fórmula precisa passar por uma vistoria antes de ir para o mercado, o que acaba restringindo a produção a quem tem dinheiro para investir nesse nicho. Esse aspecto abre margem para muitas marcas nacionais que produzem cosmetologia “natural” (ou como quiserem chamar), mas que não possuem capital para portar o selo – que por sinal tem prazo de validade. E aqui entra aquela lojinha do instagram que faz sabonete, sabe?

É o caso da Ewé, uma marca que há três anos faz produtos artesanais. Mona, proprietária da marca, é farmacêutica e entende seu trabalho como uma extensão de seu estilo de vida. Ela produz em pequenos lotes e tem contato próximo com seus consumidores. Embora não tenha selos, Mona busca usar o máximo de ingredientes orgânicos, sustentáveis e de pequenos produtores/agricultura familiar, óleos de extração artesanal, além do recorte de referências africanas.

Eu já sou do time que joga com essa cosmetologia. Estou testando alguns produtos da Innisfree, uma marca coreana que se diz natural e ecologicamente correta, que extrai os benefícios na natureza na ilha vulcânica de Jeju. Tenho sentido minha pele mais hidratada com o sérum (ideal para peles oleosas) e com a água termal de chá verde. Nada muito extraordinário. Mas dá uma sensação gostosa em saber que estou contribuindo com o meio ambiente – parte dos lucros da empresa são destinados a preservação e limpeza da ilha.

Beleza verde: entenda no blog porque os cosméticos orgânicos merecem sua chance! 🌿💗🐰(Link direto no perfil, tá?)

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Lorena Ifé, do blog Preta é a Mãe, também aderiu aos óleos, cremes de cabelo, sabonetes, máscaras, xampu, condicionadores e já até contou porque resolveu aderir aos produtos naturais para cuidar de seu crespo.

Quase todas as marcas são comercializadas pela internet, o que dificuldade a escolha do produto pelo cheiro ou, se tratando de maquiagem, pela cor. Mas você já sabe como escolher seu tom pela internet, né? Uma dica boa na hora de comprar é pesquisar em lojas que vendem esses produtos, como a Terráqua, Sublime Rituais, Capym Store, Flor & Ser.

E abaixo, algumas marcas nacionais orgânicas, naturais, veganas ou cruelty free. Com relação as de maquiagem, listei apenas as que tem opção para pele negra (se souber de alguma que não esteja nessa lista, fique a vontade para comentar):

Baims
Bioart
Bioessência
Cativa Natureza
Chad Cosmética Natural
Ewé
Fefa Pimenta
Feito Brasil
Granado
Sal da Terra

Sementes de Gaia
Surya Brasil
Prymeva
Vyvedas